quarta-feira, 24 de junho de 2009

Justificativas -Samba-Enredo (Rodrigo de Freitas)

Confiram as justificativas de Samba-Enredo:

Estrela Guia

O samba todo peca pela falta extrema de poesia e de coesão entre os setores, sendo muito direto e pouco convidativo (-0,5). O samba ignora completamente setores vitais que se propõe a apresentar, como os folguedos, cultos, manifestações religiosas e culinária brasileiras (-0,5). Apesar de válida, a homenagem a Ary Barroso no samba é pobre e sem poesia, o que é mais grave ainda quando 1. se parte do ponto em que o enredo é nomeado a partir de uma música deste, e 2. não há qualquer referência a Ary Barroso no desfile em si (-0,4).

Bambas Sambario

Apesar de bem humorado, algo difícil nesses dias de sambas padronizados e técnicos, este samba peca ao repetir-se, citando duas vezes certas obras do artista, como "É Cocada Boa" (-0,1) e "Vou Apertar..." (-0,1), enquanto outras como "Mandei Minha Nêga pro Inferno" não aparecem (-0,1). O verso "Tem piranha pra valer", além de desencaixado melodicamente, está "largado" também coesivamente no samba (Tem piranha aonde? Para quem? Por quê?) (-0,3). O samba se contradiz no penúltimo verso da segunda parte ("Sair de pinote, ser malandro é isso aí") - desde quando fugir (de acordo com o "dicionário de malandrez" oferecido pela agremiação) é atitude de malandro? (-0,2)

UFAF

A solução usada como rima em ambos os refrões é forçada e fraca, mais exatamente nos quartos versos dos mesmos (-0,4); a que passagem da trajetória da personagem se refere o verso 16 ("Evoluindo sua criação")? (-0,2)

Imperador

Camarões dos Pampas

Na primeira parte, o verso "Sublime inspiração matinal" destoa do resto do samba - não é por causa de uma breve referência na sinopse que um detalhe tão supérfluo deva ser forçado desta maneira (-0,2). A segunda parte do samba se propõe a relacioar os quatro elementos da criação, mas o faz de forma enigmática e poética demais, o que dificulta o entendimento. Por alguns momentos este julgador imaginou não ter visto as referências propostas ali (-0,4).

Dragões Lendários

Erro leve de métrica nos versos "Na flecha lendária, alcança a divindade", "No meu carnaval a Grécia é o cenário" e "Fez a população entender" (-0,4). Apesar da repetição inteligente, os versos "Bendito é o fruto, és que sagra é o gigante / Bendito é o fruto, és que fora devorar" são extremamente confusos (-0,6). O ouvinte que não possui a sinopse em mãos fica mais confuso ainda na citação a Erebo e Nix, já que o samba não os apresenta (-0,6). O samba é pouco criativo e poético na sua segunda parte (-0,5). O samba merecia uma gravação melhor.

Aliança Suburbana

O samba é cansativo, direto demais, e se vale de soluções já gastas (-0,5), salvo a "sacada" dos quatro últimos versos, dando um tom leve ao fim do samba, e sua melodia excepcional. A passagem da parte histórica para a carnavalesca no fim da segunda parte é excessivamente brusca ("Até a crise abalar o capital / Você vai dizer...") (-0,3).

Lira de Ouro

O terceiro verso do refrão do meio ("Gero um mundo melhor sem ambição") está desconexo, senão em contradição com a sinopse (-0,2). Mau uso da palavra "sereno" no primeiro verso da segunda parte, logo acompanhado por um verso ambíguo ("Morte e vida a se misturar") (-0,2). A escola poderia também tomar cuidado com a armadilha do quinto verso ("Seres alados de harpas"), uma vez que, da maneira que foi apresentado, dá a entender que as asas dos anjos são as próprias harpas (-0,1). Parabéns pelo uso maravilhoso do trecho de "O que é, o que é" (três últimos versos).

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